O que é único em Manaus: “O menino peixe”

As histórias do Amazonas querem sair por aí, de boca em boca, de riso em riso, são histórias que esperam pelo ouvido atento para serem contadas. As histórias do Amazonas estão ao nosso redor e nos chegam através de perguntas. E hoje cá tenho uma bela história. A história do menino peixe. Menino caboclo, menino criado no interior, mais especificamente em Uarini, pequena cidade do Amazonas com cerca de 10 mil habitantes.

Não conheci o menino no rio, conheci na piscina. Ele passava com velocidade debaixo d´agua e apertava meu tornozelo. Seu prazer era se esgueirar rapidamente para longe sem ser percebido. Seria um ribeirinho? Depois de feita a pergunta, soubemos seu nome, Kethison, sua idade, 11, e ouvimos suas histórias. “Meu avô que me ensinou a nadar. Colocou a canoa lá no meio do rio e disse ‘nada até lá em casa'”. E assim foi. O menino aprendeu a nadar por debaixo da água, e também por cima batendo os braços e as pernas. Participou de competição de natação e depois de dada a largada perguntaram: “Cadê o menino? Se afogou? Será que o menino morreu? O menino morreu?!!”. E lá estava Kethison no ponto de chegada gritando “Ei, eu tô aqui, já ganhei!”. Nadou bem lá no fundo com velocidade e ganhou a competição.

Não só muitas histórias sobre peripécias na água Kethison tem. É menino peixe que sabe fazer canoa – fez com um tronco que ganhou de presente de seu pai e com a serra elétrica que lhe emprestaram. Hoje a canoa já é do seu primo, porque era muito pequena pra ele. É menino peixe que gosta de tudo quanto é esporte: “Meu pai me disse: ‘decide, menino!’. E eu disse: ‘eu não, quero é saber fazer de tudo'”. É menino peixe que tem a mãe doente e não pode andar. Menino peixe, carente, contador de histórias, menino do Amazonas. Menino desses que só querem ser ouvidos, que ao terem atenção ganham o mundo.

3 comentários em “O que é único em Manaus: “O menino peixe”

  1. Paula, fico muito feliz com histórias deste nível, de pessoas simples, que batalham para sobreviver e que ganham notoriedade pelos olhos de pessoas sensíveis como você.
    Parabéns.

    Beijos.

  2. Paula, que emoção ao ouvir esta história desse menino, de saber que eu estava perto para ouvi-lo. Que maravilha ter no mundo pessoas como você, que tem a doçura de ter ouvidos para uma criança com tanta esperança em uma vida melhor. Que orgulho, minha filha, que temos de você! O Brasil precisa de mais pessoas assim, que se dispõem a ouvir histórias.
    Abraços e beijos sempre!

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