O que fazer em Manaus: “MUSA . Um pouco do museu e do índio”

Visitamos há alguns dias o Museu da Amazônia na Reserva Adolpho Ducke, MUSA. Lá está acontecendo a exposição “O que se encontra no encontro das águas”. É muito bonita, tem belas fotos em pôsteres, algumas peças de artesanato indígena e informações sobre a história que acontece ao redor do encontro das águas. O plano é construir ali mesmo na Reserva um museu mais vivo, com observatório estelar, para que as pessoas conheçam as espécies de forma mais interativa.

Conversamos com Valéria Marques, descendente de índios da tribo Baniwa. Hoje cientista social que atua na área de movimento das mulheres e populares prestando assessoria para esses movimentos.

No MUSA, Valéria trabalha na área de antropologia e explica um pouco de cada coisa, de antropologia a biologia – que ela diz não gostar, mas sabe que é necessário.

Além de contar muito sobre o encontro das águas, falou um pouco de sua vida e sobre como chegou até ali. Sua mãe veio do interior, da famosa São Gabriel da Cachoeira, foi criada por desconhecidos em outra cidade, veio para Manaus sem identidade, ganhou novo nome, família, três filhas e um filho. Hoje, todos os filhos já fizeram faculdade e estão no mercado. Só há pouco tempo veio descobrir qual é sua verdadeira identidade e quem é seu pai, que está em São Gabriel da Cachoeira. A família tem um restaurante na Ponta Negra, o Rio Içana, ponto de encontro para quem vem de São Gabriel da Cachoeira.

Valéria nos fala sobre o questionamento que se faz sobre a preguiça do índio. Ela diz: “as pessoas passam e comentam ao verem o índio deitado na rede em pleno meio dia: ‘que vagabundo, preguiçoso’, mas o tempo do índio é diferente, as pessoas precisam entender isso, o tempo do índio é o tempo da natureza, seu relógio é diferente… Ele acorda 4h, faz muitas coisas enquanto o sol ainda não está forte, enquanto o branco começa a trabalhar às 9h. Quando são 9h, já está tarde para o índio que já fez muita coisa. E isso o homem branco não entende, porque seu ritmo é muito acelerado durante horas em que o sol está muito forte para o índio”.  Depois da lição sobre o ritmo do índio, nos despedimos de Valéria e do MUSA.

Reserva Adolpho Ducke . Rua Uirapuru, Cidade de Deus, Zona Leste . (92) 3638-2282

MUSA http://www.museudaamazonia.org.br/

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