Como é viver em Manaus: “Motos”

Há uma pergunta específica feita entre as muitas generalidade de dúvidas sobre Manaus: “as motos enchem o saco por lá também?”. Dúvida direta e precisa. Como já podem imaginar, a resposta é sim, Manaus também é permeada por mil e uma motos que entrecruzam os carros deixando-nos estarrecidos diante de tanto malabarismo.

Percebi que os grandes inimigos do motoqueiros são mesmo os taxistas, já que foram eles os principais formuladores dessa questão que ora respondo. Em São Paulo isso ficou ainda mais claro e confirmei conversando com taxistas de Manaus para tentar criar uma relação com a tendência nacional. Os taxistas e os motoqueiros, dois personagens do nosso trânsito caótico e cheio de ginga, são os ocupadores “em atividade” dos espaços asfaltados e disputam com ardor seu tão precioso primeiro lugar na fila e sua chance de passar ainda no sinal amarelo para ganhar tempo.

“Todo dia morre um por aqui” – contou de certa forma até excitado o Zé taxista paulista – “dia desses vi uma cabeça explodindo”. Quanto detalhe! Em Manaus a tragédia não é tão corrente, o trânsito é menos agressivo, mas eles se machucam um tanto. Por aqui o relapso do motoqueiro com a própria vida vai um pouco além: ainda hoje muitos ainda não usam capacete. A lei é clara e a fiscalização de certa forma até se mostra presente, mas a expectativa do motoqueiro é grande ao tentar burlar o esquema e dar aquela escapada à norma.

Hoje na estrada tinha uma família inteira sem o acessório: filha na frente, pai pilotando e mãe na garupa. Indo para escola dia desses era a bela bailarina de uns 6 anos agarrada a cintura do pai toda emperequetada que não queria desfazer o coque e por isso não podia colocar nada na cabeça além de gel e purpurina. E os dois amigos sábado à tarde saindo do bar – provavelmente um tanto “mamados” – de moto e com os capacetes devidamente colocados em seu punho? Será que estão enganando quem? Atender a exigências somente quando há fiscalização é uma das grandes práticas sociais. Fico pensando se não houvesse exigência: “capacete pra quê, mano?”

Ser fiscalizado é incentivo para andar na linha. Ou, no mínimo, é incentivo para providenciar os indícios para que isso seja constatado por quem fiscaliza – como no caso dos motoqueiros que levam o capacete na mão: uma vez detectada a blitz, colocam na cabeça! Muita maturidade!

Um comentário em “Como é viver em Manaus: “Motos”

  1. Todas as vezes que fui em manaus fiquei indignada com a situação dos motoqueiros/motociclistas. Eu como uma boa motociclista que sou sei bem que, em qualquer das hipóteses, quem se ferra sou eu. Qualquer acidente (dos mais bobos aos mais graves) temos que pensar que o para-choques somos nós!!

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