Monte Roraima: Borracha

Era sua primeira subida ao Roraima. Nosso assistente de guia, Everaldo, mais conhecido como “Borracha” – parece que seu pai tinha uma borracharia –, foi a comédia da nossa viagem. Virou nosso personagem, virou nossa paixão, virou a diversão do dia inteiro e do fim do dia, quando nos reuníamos para contar todos os casos dele que nos fizeram rir durante o dia. Eram muitos. Ainda hoje, caminhando pelas ruas de Manaus ou presa no trânsito, fico lembrando das histórias do Borracha e não contenho a gargalhada.  Meu guia Leo já dizia na última noite: “Tira uma foto do Borracha logo para você colocar em um quadro na sua casa”. Caminhávamos rindo tanto do Borracha que mesmo quando ele estava em silêncio fazíamos questão de puxar conversa e fazer perguntas só para ouvir algo engraçado. Ria tanto que chegava a doer.

Com o Borracha aprendi que mesmo que nossa vida venha com momentos de dor e sofrimento e mesmo que esses momentos permaneçam em nós como marcas que nos fazem chorar, é possível levar muita alegria para os outros.

Algumas histórias viraram um clássico entre nós. No terceiro dia de subida iniciamos num trecho bem íngreme. Saí na frente com o Borracha. Subimos uns 20 minutos: eu cansada mesmo sem a mochila e o Borracha com uma super carga. Uma carga que ele mesmo já não estava aguentando. Eis que alguém lá atrás grita: “Pega essa sacola, Borracha, você esqueceu, é o frango!”. Nem lembro quem entregou a sacola, porque ela era tão grande que saltou aos nossos olhos. 2 quilos de frango para as nossas próximas refeições! “Ei, Paula, tá muito pesado esse frango! Vamos comer por aqui mesmo!”. E rimos.

E no topo, as pedras eram uma atração. O Leo, nosso guia, que já foi ao Roraima quase 200 vezes, anunciava “bem ali na frente vocês poderão ver uma tartaruga e do seu lado um canguru”. Mais adiante: “vejam, o Che Guevara!”. Olhávamos e dizíamos “ooohhh”. E então o Marcelo, nosso segundo guia, que já foi lá em cima umas 80 vezes, olhava as pedras e dizia “vejam, bem ali há um homem de mochila amarrando o cadarço do outro”. Olhávamos e “oooh!”. Lá vou eu caminhando com o Borracha e ele “ei, Paula, olha bem ali, um elefante!”. Eu olhei, olhei e mesmo me esforçando muito não vi um elefante. “Borracha… não parece um elefante!”. E ele “Ah! Então é um pedaço de elefante”. =))

4 comentários em “Monte Roraima: Borracha

  1. É Paula, acabei ficando fã do Borracha também. A história do frango achei a melhor. Que orgulho eu sinto por você ter conseguido traçar essa aventura ao Monte. Quem imaginaria ver você fazendo tanto esforço nesta caminhada! Isto prova, que quando a gente quer de verdade uma coisa, ninguém impede. Nem o nosso corpo. Que bacana! Se pudesse queria ir também. Quem sabe um dia. Saudades, saudades, saudades…. Mamãe.

  2. Paulinha! Muito legal ler seu texto sobre o Borracha!! Acho que vamos ter que abrir um fã clube para ele, pois eu e a Renata adoramos aquele figura!!

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