O que fazer em Manaus… quero dizer, em Roraima: Serra do Tepequém

Há pouco mais de 200km de Boa Vista, Roraima abriga um de seus belos pontos turísticos. A Serra do Tepequém. Ao nos aproximarmos da Vila do Tepequém, pouco depois de passarmos pela cidade de Amajari, percorremos estradas estreitas bem asfaltadas e um tanto íngremes. Há curvas fechadas e é preciso atenção para percorrer os trechos, principalmente as pontes de madeira em que só é possível transitar um veículo por vez. Chegar à Vila é entrar num mundo bucólico, onde até o vento corta os céus com mais tranquilidade.

A história do Tepequém nos remete a um tempo de exploração pelo garimpo de diamantes. Ainda hoje há garimpeiros lá que dividem suas atividades com o turismo. Praticamente não sobraram diamantes e as formações naturais foram comprometidas pela exploração desenfreada. Ainda assim, o Tepequém guarda para nós, habitantes das selvas de pedra, dessas cidades contaminadas pelo vai e vem de pessoas, carros e pressas, um paraíso para ser contemplado com calma e atenção.

As principais atrações turísticas do Tepequém são as cachoeiras, além da própria serra. São várias quedas d´água, cada uma com seu encanto, e para visitá-las é preciso, sempre, contratar um guia local. Não fui a mais sortuda na contratação do guia, que ficava quase todo o tempo mudo – guias mudos são como GPS – e por isso fiquei sem boa parte dos saberes locais. Minha dica para quando for é que converse com as pessoas, elas poderão contar parte do que viveram na época do garimpo, sobre como ainda exploram a natureza em busca de riquezas e como a vila hoje lida com o turismo.

A estrutura de hotéis e pousadas é boa, mas com preço um tanto quanto salgado. Fiquei numa pousada razoável por R$150. É sempre bom que sejam prevenidos e saquem dinheiro antes de ir. Não há caixa eletrônico na vila, muito menos estabelecimentos que aceitam cartão.  Conversando com um casal manauara que estava hospedado na mesma pousada soube que na época do carnaval a Vila é cotadíssima e os preços das pousadas são muito mais caras. A que estávamos, por exemplo, ficava em R$250 e o risco de não encontrar um lugar para ficar é grande. Portanto, é bom prevenir nessas épocas de feriado e fazer contato com alguma agência ou pousada com antecedência.

Visitar a Serra do Tepequém foi um ótimo momento para reviver tempos de trilha, usar minha bota, sentir o verde mais próximo, curtir o silêncio e os barulhos da natureza – tão mais apreciáveis que o da cidade.  Quando nos aproximamos da natureza, sinto, nos aproximamos mais de nós mesmos. E ver o modo de vida simples daquelas pessoas, que moram em comunhão com o verde, é questionar nosso próprio modo de vida e voltarmos mais atentos a como estamos nos guiando pelo dia a dia.

Um dos momentos mais bonitinhos entre as pessoas da redondeza foi já no final do dia. Fomos a um mercado, Mercado Chico Dólar, vendinha minúscula bem estilo interior mesmo, que segundo os moradores está dominando o comércio local, comprar alguns itens que totalizassem R$10 para nos servir de jantar já que R$10 era tudo o que tínhamos. Nosso plano era comprar pão, manteiga, queijo e algo para beber, mas não havia mais pão aquela hora da tarde, 17h. “Pão só mais cedo”, falou a moça do caixa. Então, cruzamos os dedos para que a mulher da pousada nos deixasse cozinhar lá: levamos espaguete, molho de tomate, margarina e uma coca de 600ml. Dedos cruzados e pedido atendido. A cozinheira da pousada, Maria, nos ofereceu tudo o que precisávamos: panela, talheres, pratos, copos e ainda um pouco de queijo ralado que tinha sobrado do seu almoço. Quando percebi, ela estava fritando ovos para complementar nosso macarrão improvisado. Ah, que jantar ótimo! Comemos felizes e quando já era noite a Maria me chamou na cozinha, toda tímida, falando baixinho e com o olhar voltado para baixo: “come, tem macaxeira e suco de cupuaçu”. Percebi que ela tinha fritado a macaxeira e feito o suco só pra mim. Nela, traços de um povo que cuida, um povo humano que vê o outro mais que vê a si mesmo. Fez valer mais a pena o Tepequém meu aperto.

3 comentários em “O que fazer em Manaus… quero dizer, em Roraima: Serra do Tepequém

  1. Paula,
    como sempre, a sua ótica torna qualquer lugar belo.
    E o que já é belo, fica maravilhoso.
    A sua alma é que encanta tudo o que a sua retina registra.
    Você é um anjo…
    Bjo

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