Como é viver em Manaus: “Há uma passarela”

Na avenida Dom Pedro I, em frente ao Hospital Tropical, há uma passarela de escadas. E bem embaixo dela um semáforo para pedestre. Se foi pensando em acessibilidade que abandonaram a passarela e passaram a usar o semáforo não sei, o degrau da calçada é tão alto que não há cadeira de rodas que possa acessá-lo.

Na Recife, que desde que aqui cheguei se chama Mário Ypiranga, há uma passarela. E bem embaixo dela ainda são muitos os que passam correndo, atravessando entre os carros nas 5 pistas que dividem a avenida como num jogo de vídeo game.

Na Djalma Batista há duas passarelas, afinal é a principal avenida da cidade. E lá os pedestres preferem atravessar entre as duas, bem em frente ao Manaus Plaza, onde até agora nem faixa de pedestre tem. Tem é guarda de trânsito para ajudá-los a atravessar.

Na Darcy Vargas há uma passarela, a mais nova da cidade. E por quase um quilômetro abaixo dela há uma cerca dividindo as pistas para que os pedestres não teimem em não usar a passarela que os faz andar quase um quilômetro a mais só para atravessar – sobem 4 andares de rampa e descem os mesmo 4 andares lá dentro do Amazonas Shopping, bem bem bem longe de qualquer coisa que lhes interesse, exceto o shopping. Mesmo assim, no viaduto, pedestres se arriscam entre os carros lentos no congestionamento e driblam a passarela e a cerca.

Na rua Paraíba, que também desde que eu cheguei já se chamava Umberto Calderaro,  há uma faixa de pedestre das vermelhas, imponentes, inquestionáveis, e os carros até param para os pedestres. E estão construindo uma passarela. Mais uma.

9 comentários em “Como é viver em Manaus: “Há uma passarela”

  1. Paula querida, mais uma vez, seu blog serve como denúncia de assuntos importantes. Ou nossos políticos são pessoas que pensam na cidade como um lugar para os carros em vez dos pedestres, os quais devem dar licença aos motoristas, ou eles gostam de construir passarelas porque são obras caras e a possibilidade de ganhar bola é maior.
    A Navalha de Occham me obriga a ficar com a segunda hipótese.

    • Pois é, Fernando, é quase uma comédia (ou tragédia) urbana se pararmos para observar os pedestres. Lembro da época em que a passarela mais nova foi inaugurada na Darcy Vargas e a cerca ainda não ia até o chão, deixando um espaço de cerca de 50, 60 cm em aberto na parte de baixo. Acredita que tinha gente que passava por ali, quase se deitando no chão, para evitar a passarela? Céus! Nessas um ou outro acaba perdendo o óculos. =)) Seja bem-vindo por aqui! Começar a semana com recado de visitante que nunca comentou antes é muito bom!!

  2. Olá Paula… nós nos falamos no início do ano passado, lembra-se?
    Bem… são umas das obras mais ociosas e ridículas que existem em Manaus… além de inúteis, claro!

    Aliás… acho que deveríamos lançar uma enquete: Vc acha que os veículos vendidos em Manaus deveriam ser equipados com mira (como o símbolo da Mercedes-Benz)?
    Sim, item de série, para acertar os pedestres mais facilmente e causar menos sofrimento.
    Não, nem precisa, o motorista de Manaus não segue faixas (quando elas existem), mira pra quê? Aliás… outro? Quem é o outro, no trânsito!

    Agora… o pedestre não respeita a passarela, construída para sua própria segurança. Querer que o motorista pare nas faixas de pedestre? É brincadeira, né? rsrsrs Todas as semanas eu vejo acidentes e atropelamentos aqui… justamente devido a faixas de pedestres mal sinalizadas e/ou mal iluminadas.

    Mas é isso… abração!

      • As pessoas que vêm do Sudeste e Sul, nós por exemplo, temos as vezes uma característica ruim de achar que lá as coisas eram mais organizadas e que funcionavam… mas penso que na verdade lá tem muita gente que morre atropelada, muita passarela inútil e muita gente ruim de volante… a grande diferença é que lá a quantidade de carros é tão gigantesca e todos trafegam numa velocidade tão mais alta que a dos autos daqui (talvez pq as avenidas e ruas sejam melhores), que acho que as pessoas dão preferência às passarelas pq quem é atropelado lá, simplesmente morre. Quando as pessoas aqui passarem a morrer em maior quantidade, em coisas idiotas como atravessar ruas, que talvez (e é só um talvez) o que é inútil passe a ser útil!
        Até lá… é uma comédia trágica, né!?
        Abraços!

      • Estou tão sensível ultimamente, Klaus, que fico olhando as pistas, os carros tão velozes, e enxergando os pedestre, ali na calçada, tão próximos das máquinas de passam a 70, 80, 100km/h estão expostos a um risco imenso…como numa guerra. Mas eu é que estou sensível demais… =)

  3. Ahh… e durante o tempo em que estou aqui venho pensando numa teoria para o trânsito de Manaus. De início pode parecer que estou ridicularizando, mas se pensarmos na evolução das coisas e pensarmos que de fato 70 anos de evolução é praticamente NADA, minha teoria faz sentido… lá vai:

    Se pensarmos que há 70 anos não havia carros no Estado do Amazonas, e que os avós e pais desta geração praticamente não dirigiam e mal tinham condições de ter um carro (não por pobreza, mas por falta de carros disponíveis para venda aqui)… as pessoas daqui só usavam barcos. As avenidas eram os igarapés e rios regionais… E se vc perceber o trânsito daqui, as avenidas, quando movimentadas, se assemelham muito com grandes rios de carros… onde cada “canoa” vai se esgueirando pelas frestas e pelos cantinhos… não há faixas, sinalização, organização… pq as avenidas são os rios dos antigos… se bate um carro no outro (de leve)… não tem problema… é só uma “esbarradinha sem maiores consequências”… e a vida segue!

    • Há uma ordem no mundo em favor do automóvel, uma ordem de valorização e criação de espaços para estimular esse que é um dos mercados mais fortes, senão o mais, em todo o mundo. O carro, o auto-móvel (que grande promessa, você se move por conta própria, individualmente, para onde quiser!), é o bam-bam-bam do mercado, é o centro, é o alvo. Que passem as embarcações, que passem as bicicletas, que passem os pedestres, que passem todos os entraves para que os carros sigam o fluxo sem interrupções, sem delongas, sem demoras. E enquanto isso vamos vender mais carros, criar mais vias, fazer mais pontes, e seja lá o que mais for preciso. Carro, carro, carro. Se todos resolverem sair juntos, parou o mundo!

  4. Em SP a coisa mais deliciosa que existe é quando vc mora perto do metrô e trabalha perto de uma estação do metrô. A cidade fica bonita, vc olha o trânsito caótico pelo lado de fora… mas infelizmente o transporte coletivo em qquer cidade brasileira, é algo deprimente. Aqui os ônibus são velhos e sucateados… além de muitas vezes ser de grande risco, uma vez que os motoristas se mostram beeem despreparados… além disso, aqui TODOS OS ÔNIBUS saem do centro, passam TODOS pela GET. VARGAS e param o trânsito… no sentido contrário só existem DUAS OPÇÕES: TODOS vêm pela CONSTANTINO NERY ou pela DJALMA BATISTA… assim como todos os carros de Manaus…
    O que falta aqui é engenharia de tráfego, transporte público, multas e organização. (nesta ordem)
    O que me preocupa é esse pessoal achar que está tudo bem… o que me preocupa é o legado que a famosa Copa do Mundo vai deixar… e se vai deixar algo de bom, além de um estádio ocioso e uma farra com o dinheiro público!

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