O que fazer em Manaus: “4×4 em Manaus: a hora da lama”

Ah… Manaus e as surpresas que ainda reserva! O novo me faz muito feliz, porque apesar de morar por dois anos por essas bandas do norte, ainda tenho olhos que respondem “uau” diante de algumas situações. E imaginem o que disseram esses meus olhos no passeio de jipe que fiz ontem? Ou melhor do que dizer “passeio”, vamos ao termo correto “trilhas de jipe”.

Cabe dizer que nunca andei de jipe, por isso já seria uma novidade. E não ter andado de jipe inclui também a total falta de noção do que é ou não é possível se fazer com um carro. Sabe aquele barranco ali na frente que parece inconcebível passar em quatro rodas? Esqueça o “inconcebível”, é por lá que passaremos. Sabe aquela erosão lavada pela chuva há dias que nem a pé você se arriscaria a passar? Pois é por lá o nosso caminho, apertem os cintos. Está pensando que a estrada terminou? É porque ainda não percebeu aquela aberturazinha ali no canto, é por ela que seguiremos.

Fazer trilha de jipe, descobri, é passar por caminhos de acesso difícil, é criar caminhos que não existem, é transformar o “será?” em “deu certo”. Entre uma curva desmoronada e outra, entre um galho solto no meio do caminho e outro, uma chuva das mais fortes que já vi por essas bandas desmoronou sobre nós. Nosso jipe não tinha vidros, ou melhor, até tinha do meu lado, mas ele não fechava por completo. E quem se importa? Quem se importa de ficar molhado ou de ter seu carro atolado nas lamas varridas pela água forte? Quem se importa em tentar acessar um caminho por alguns minutos e por causa da insistência seu jipe parar de funcionar? Quem se importa de ficar com o pé cheio de lama? Além de não se importar, todos gostam, porque as “pedras no caminho” são o que o jipeiro mais quer.

Tal qual num jogo de obstáculos, o inesperado se torna parte fundamental do caminho, que tem ponto de saída e não tem ponto de chegada. Para aqueles jipeiros, tanto faz o percurso que se fará, interessa a parte em que estão dentro de seus jipes e passam pelo ponto de encontro (um posto de gasolina na estrada do turismo) dizendo “vamos?”. Depois que saem dali, tudo é caminho, tudo é uma partida só, tudo é “brincadeira”, como um deles mesmo dizia.

O espírito de equipe, o companheirismo, o bom-humor e a tolerância se sobressaem a todo instante. Não há tempo, não há pressa ou vontade de chegar logo. A lógica do trânsito não impera entre os caminhos do jipe. Impera a lógica da trilha, a mesma lógica das mãos estendidas, do cuidado de um com o outro, da assistência plena e motivada pelo bem comum. Agora, olhando pela janela do meu apartamento aquelas matas que se estendem pelos entornos da cidade, saberei: não é uma mata tão pacata assim, entre seus galhos e troncos pode haver um jipe desbravando as entranhas do Amazonas.

Para saberem um pouco mais, vejam aqui nesse link informações sobre o movimento 4×4 em Manaus: http://www.manaus4x4.com.br/site/

14 comentários em “O que fazer em Manaus: “4×4 em Manaus: a hora da lama”

  1. Pelo visto a senhora sabe mais coisas que eu que nasci aqui. rsrsrs
    Gostei, bateu até uma vontade em aventurar na terra!

  2. Nossa… que texto… conseguiste expressar em palavras tudo o que sentimos com nosso hobby e jamais soubemos explicar… Quando me perguntarem novamente: Pq fazer trilha? Qual a sensação ? Vou falar pra acessarem teu blog e lerem esta postagem!!! Hoje vi que as palavras vale mais do que algumas imagens..
    Parabéns pela forma belíssima que escreves e obrigado pela companhia super agradável na trilha de sábado. Próximo sábado tem mais e você está intimada a comparecer.
    PS: Vou me “apossar” de algumas destas fotos, ok ? :-D
    Beijos

    • Diego!! Que bom você por aqui! Fico feliz que tenha gostado do meu post, por ele você vê que eu adorei a trilha de sábado e já acrescento que a companhia de vocês também foi ótima! Vou aparecer mais vezes e até ter meu próprio jipe vou de carona!!! =)) As fotos envio por email, assim você terá algumas outras que não postei aqui.

    • Ricardo!! Você viu que eu não tinha fotos do seu jipe de capo aberto, não é? =) Senão elas estariam aí na seleção de ” uma subida que é praticamente uma escalada”. Eu devia ter tirado foto de você tentando subir aquela pirambeira em pleno dilúvio. hehehe. Adorei o sábado, foi ótimo!

  3. Paula,

    Em primeiro lugar vc foi profunda em suas palavras, parabéns pelo comentário!!!

    Bem vinda ao Clube do MAO (manaus4x4.com.br), convido você a participar de nossa reunião de hoje…

    LOCAL: BAR ALTAS HORAS, NA AVENIDA DARCY VARGAS EM FRENTE A ANTIGA UTAM (UEA), ÀS 20:00 PONTUALMENTE!!

    Um grande abraço,

    Marco Góes

    • Marco, obrigada pelo “bem vinda ao clube”. hahaha Ainda estou me divertindo com as narrações sobre o programa de sábado pelos comentários no facebook. Hoje o Herbert me mandou o “manual do zequinha” e já fiz até juramento “prometo ser boa zequinha de agora em diante”. =)) Na reunião não conseguirei ir, mas na Serra do Sol quero muito!! Abraços!

  4. Estava procurando algo sobre essa Terra maravilhosa que é Roraima e me deparei com seus comentários. Fico feliz e saber que a estrada hoje está recuperada. Como militar nos idos da década de 70 dei minha modesta colaboração para sua construção por três anos seguidos. A senhora que a conhece bem pode me dizer se as pontes ainda guardam as antigas denominações? Se ainda lá estão, aqueles nomes foram uma homenagens a alguns dos que ali trabalharam. Quero lhe dar os parabéns pelo trabalho que realiza. Fiquei encantado com a forma como descreve suas experiências e feliz em encontrá-la. Com certeza serei mais um assíduo leitor a visitar seu post. Abraços e sucesso!
    Luiz Otávio

    • Luiz, que lindo o quanto você ama a história de Roraima, fico feliz que tenha encontrado um pedacinho dessa terra maravilhosa por aqui. Não sei se os nomes das pontes ainda são os antigos, mas elas estão lá pelos caminhos para saudar com boas energias a todos que passam. Feliz por ter você como leitor, venha sempre!

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