O que fazer em Manaus: “Vila de Balbina”

Poderia falar da tragédia envolvida na criação da hidrelétrica de Balbina como tantos e tantos outros papers falam. Realmente foi uma tragédia: calculava-se uma área de inundação e a área foi maior, calculava-se uma potência e a potência foi menor, calculava-se uma ou outra coisa e os cálculos foram mal feitos. Enfim, Balbina não correspondeu às expectativas e hoje está lá em funcionamento em Presidente Figueiredo e até abastece parte do que Manaus gasta em energia, mas parte pequena que não vale o custo que a estrutura tem. Mas além do belo lago de Balbina (que apesar do desastre ambiental é realmente um belo lago) e da usina, está ao seu lado uma Vila de seus trabalhadores. E é sobre essa Vila que trata esse post.

A Vila de Balbina está há mais ou menos 90km de Presidente Figueiredo e fica dentro de uma área da Eletrobrás. Há inclusive uma guarita na qual apresentamos nossos documentos para adentrar na área da usina e enfim chegar à Vila. Seus principais moradores são funcionários da Usina e funcionários públicos que prestam serviço local.  Não há muitos comércios, mas o que você precisa de itens básicos em supermercado, lojas de roupa e farmácia você encontra.

Eu pensei em passar a noite por lá em alguma pousada para sentir a calmaria que todos me disseram que encontraria no local. “É bem diferente de Presidente Figueiredo, por lá tudo é planejado”, avisaram uns e outros e bem pensei que chegaria a uma cidadezinha charmosinha no meio da floresta para me afogar em meditações profundas. Digamos que sim, a Vila realmente é planejada, mas é planejada de um jeito que parece que não há vida por lá. Tudo é um silêncio só – nada contra o silêncio, aprecio bastante inclusive -, mas é um silêncio que lembra mais a ausência de movimento e criação. As casas são como uma área militar em tudo tudo é padronizado. Não têm muro. Têm áreas gramadas. Mas minhas impressões em uma hora de percurso pelas ruas bem asfaltadas da área é que falta algo na Vila de Balbina. Falta uma espontaneidade, falta uma força criativa. Há grama, há verde, há algumas árvores, há tranquilidade e o vento não sopra com leveza.

Alguns moradores investiram em tons mais vivos para criar um contraste, mas mesmo assim a sensação que tive durante minha estada foi de um lugar abandonado em que a vida esconde-se atrás das paredes. Talvez eu retorne a Balbina qualquer dia desses para percorrer o grande lago de canoa, um passeio que deve ser maravilhoso no fim do dia para ver o cair do sol. E nessa ocasião talvez eu retorne à Vila de Balbina para ver se em um outro dia a vida que ficou guardada dentro das casas ganha as ruas e torna tudo mais aconchegante e acolhedor.

10 comentários em “O que fazer em Manaus: “Vila de Balbina”

  1. Morei ai, na época era bem diferente de hoje, “um descaso total”

      • Pois é Paula,procure a direção da eletrobras para ver se eles tem em mente, algum plano de avivamento dessa que já foi tão charmosa e atraente moradia. Bom dia!

  2. Bem gente no próximo fim de semana irei conferir de perto seus comentários.
    E confesso que agora fiquei mais interessada em conhecer esse lugar .

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