Quando Manaus sorri e diz “seja bem-vinda, Paula”

São quase cinco anos desde que pisei em solo manauara pela primeira vez. Se curiosidade matasse, eu tinha caído mortinha no avião mesmo à caminho da cidade do sol.

Comprei minhas passagens de avião, as primeiras da minha vida, e saí de madrugada de Juiz de Fora rumo ao aeroporto do Rio de Janeiro (na época eu morava em Juiz de Fora, por muitos é conhecida como a cidade mineira mais carioca que há). O movimento do aeroporto era algo inédito para mim. Manaus era o lugar mais distante que meus pés ousaram visitar pelos idos de 2009 e tudo me encantava, inclusive toda aquela dinâmica do aeroporto.

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Amanhecer no Galeão

Amanhecer no Galeão

Sim, “Manaus é longe” é o que todos dizem quando ouvem, em Minas, você dizer que vai à Manaus. E é tão engraçado porque estando aqui no Amazonas ninguém diz “Minas é tão longe…”. Dizem que São Gabriel da Cachoeira “é longe que só”, mas de Manaus até lá são duas horas de voo. Hoje eu entendo que distância não tem nada a ver com os quilômetros que você vai percorrer, mas com a sua proximidade emotiva com o lugar. Sei que o Amazonas ouve falar mais de Minas do que Minas do Amazonas, por isso um fica mais distante que o outro.

No aeroporto do Galeão, com as malas prontas para seguir viagem, eu comentava em todos os lugares que tinha oportunidade “vou para Manaus”: quando comprava uma revista na conveniência, quando escolhia um chocolate na lanchonete, quando passava pelo portão de embarque. Parecia tão inédito que eu sentia necessidade de ver a cara das pessoas reagindo ao meu destino…. “nossaaaa!”. Nem todos reagiam, mas os que diziam algo era “vai pra longe, heim?!” e eu orgulhosa balançava a cabeça dizendo que sim.

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Sozinha naquele aeroporto eu era uma só expectativa. Expetativa para o voo, expectativa para a cidade. Tudo incrível e marcante. 

O pacote de emoções era completo. Os aviões eram os maiores que eu já tinha visto, a pista de pouso e decolagem, que eu podia ver de uma mesa privilegiada do aeroporto, me encantou durante horas de espera enquanto o dia amanhecia no Rio; sobrevoar a terra do samba foi um presente, e ver as nuvens como algodão fez meus olhos se encherem de lágrimas entendendo, finalmente, por que minha avó tanto amava ao voar. Quando me deparei, depois de mais de 3 horas de voo, com a imensidão da floresta amazônica e de seus rios foi um encantamento à parte, amor à primeira vez.

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chegar_manausChegar à Manaus nem de longe se comparava ao que eu encontrava sobre a cidade na internet. Sentir a cidade com meus próprios sentidos era totalmente diferente e único:o calor era mesmo marcante, as ruas eram muito mais largas do que eu imaginava poder encontrar, havia mais carros pelas ruas do que eu supunha e as pessoas eram incrivelmente mais receptivas do que foram capazes de narrar.

Sempre tive a impressão de que quando aquele avião pousou em solo manauara no dia 17 de abril de 2009 Manaus sorriu pra mim e disse “seja bem-vinda, Paula”. Não é à toa que resolvi ficar. De coração eu agradeço e de coração sigo grata por tudo e retribuindo com o melhor que há de mim para que Manaus dê passos largos em direção ao melhor que há reservado para essa terra do sol.

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Paula Quintão é escritora, publicitária, montanhista-viajante, paraquedista, mestre em Ciência da Informação pela UFMG e doutoranda em Ciências do Ambiente pela UFAM, fundadora da Equipar Consultoria e Treinamentos. Escreve em seus blog Manaus pra Mim e Um novo Eu e é autora do livro “Para sempre um novo EU”, um relato de viagem ao Monte Roraima. Se quiser entrar em contato, é só mandar um e-mail.

5 comentários em “Quando Manaus sorri e diz “seja bem-vinda, Paula”

  1. Paulinha, pela sua narrativa, melhor seria se você tivesse naquele momento, descido de para-quedas. Emoção duplamente incrível (por ser perita em paraquedismo). Você não escolhe onde nascer mas tem o poder de decidir onde morar. Que bom que você escolheu Manaus. Esta sendo um prazer fazer parte desta sua nova caminhada. Abril esta chegando. Motivo de uma comemoração gloriosa….Abraços. NERY

    • Sou paraquedista desde que nasci, brinca uma amiga dizendo que sempre que eu “caio de paraquedas” em alguma situação mirabolante logo tudo está calmo e resolvido. =)) mas não sou assim perita de verdade-verdade mesmo!
      Eu que agradeço por tudo o que Manaus trouxe de aprendizados, não foram poucos. E agradeço também sua presença, Nery, que sempre é tão cheio de energia e está sempre aguardando ansiosamente o que vem depois da curva.

  2. Paula, como você se transformou por dentro e por fora nesse tempo de manaus… Tenho que admitir que essa cidade fez um bem enorme a você. Esta é a minha maior percepção quando olho para essa sua cara na foto de quem pousou num mundo novo. Outra Paula, nova em folha.

  3. Lembro bem desse dia… era mesmo muita expectativa por tudo o que a vida lhe traria de novo! Bom demais poder relembrar esse momento depois de tanto tempo. Tenho certeza que cada lugar que você escolher para chamar de “seu” te dirá de maneira bela: “seja bem-vinda Paula!”. Beijos irmã!

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